Sobre Mim - Atualizado 2013


Andréia Kennen, essa pessoa aí da foto tendo orgulho em se expor e mostrar que é otaku. Mas “otakices” a parte, sou uma pessoa comum, já beirando os trinta anos de idade. Trabalho na área contábil há dez anos, apesar de ter me formado e pós-graduado pra dar aula (Letras e pós em Educação a Distância). Coisas da vida. Mas essa sou eu de agora, que anda trabalhando muito pra tentar construir minha casa, nesse nosso Brasil onde quem mais trabalha, tem menos direito, menos oportunidade e paga muito mais impostos. Vamos dizer a verdade, o classe ferrada é essa trabalhadora. Mas se você está aqui nessa página é porque quer saber sobre minha trajetória com escritora, então senta que lá vem a história.  



Como tudo começou?

Como uma brincadeira. Não sei se todos escritores de fanfic começam assim, mas a verdade é que ainda vejo muitos começarem a escrever fanfics desta forma. 


Só que hoje o escritor de fanfics, mesmo por brincadeira, já publicam suas fanfics na internet. No meu caso, na minha época, conforme a foto mostra aí em cima (meados de 1996), não havia internet, ou havia, mas não era popular como os dias de hoje. Então a brincadeira começou como os contos antigos da vovó; literalmente “contados”. Eu e minhas primas nos reuníamos e o assunto era praticamente o mesmo que muitas garotas ainda discutem hoje: bandas de garotos e animes. A diferença era que a banda era os “BackStreet Boys” e o anime era “Os Cavaleiros do Zodíaco”. 

 
Agora vejam a foto ao lado e tenham a cara de pau de dizer que eles não eram tudo de bom? Aliás, vendo essa imagem agora me fez pensar que eles são até "shipáveis". Só nessa foto tô vendo A-J x Brian, Kevin x Brian (Kevin puto de ciúme com o A-J grudado no Brian. Nick x Howie (ai). Kevin tá no meio de tudo aí, né bonitão? 

Devaneios fujoshi a parte. Sim, eu sou velha. E sim, você também ficará. Hoje você tem 13, mas depois de um trajetória de quinze anos você terá 28 anos e será chamada de velha pela galerinha que tiver 13 anos nessa época. :) 

Então velhice a parte, era isso que nos divertia. Foram nessas conversas com as minhas primas que começaram a surgir as “fanfics”, só que na época nós não sabíamos que essa era denominação usada para o que fazíamos. Inventávamos histórias faladas, seja nossa fazendo par com os nossos ‘boy’ preferidos da banda que amávamos, no meu caso o meu meu preferido era o latino maravilhoso do Howie D, fosse a continuação da história dos “Cavaleiros do Zodíaco” que na época nunca saía do início da invasão das 12 Casas. 
 
Shiryu, Shunrei & Ryuho by 桑材
Eu, particularmente, gostava mais de inventar histórias sobre como seria o final dos Cavaleiros e como seria o depois do fim, do que ficar viajando nos nossos possíveis romances com os carinhas da nossa banda favorita. Aliás, qualquer semelhança aqui com as garotas de hoje que gostam de fazer fanfics se auto inserindo na história para fazer par com seus ídolos do One Direction, da K-music, J-music, (entre outros) é só uma mera coincidência, tá?

Bem, eu fugia do gosto da maioria que preferia a história com os garotos das bandas do que o anime. Conclusão: acabei ficando sozinha com as histórias de animes e, para não perdê-las ou esquecê-las, comecei a escrevê-las em cadernos. Vejam só, foi nesse momento que estavam nascendo as minhas primeiras fanfics e eu sequer sabia disso. Eu até fazia capas para as minhas fanfics, a primeira página era capa e depois começava a história. Cada caderno era uma saga. (Vou colocar a imagem aqui embaixo): 

A primeira saga que escrevi foi “A Batalha de Vênus” dos Cavaleiros do Zodíaco. A história se passava depois da batalha das Doze Casas, antes da batalha de Hades. Nessa fanfic a deusa Vênus vinha à Terra a mando de Zeus para convencer sua irmã Athena a abandonar os humanos e entregar a Terra de volta aos deuses. Mas Vênus não reencarna e sim toma “posse” do corpo de uma bela jovem burguesa que vive em uma ilha grega com seu irmão. A jovem seria seu recipiente temporário. Vênus ainda traz junto com ela alguns cavaleiros e ergue um templo lindíssimo e meio afrodisíaco em meio a essa ilha. Ela tenta convencer Athena por bem a abandonar à Terra, mas como a irmã não aceita, ela começa agir por mal e atrai Seiya para o seu Templo e o faz prisioneiro, porque percebe que ele é o ponto fraco da irmã, por quem ela nutre um sentimento especial. Não darei mais spoilers, porque ainda tenho a pretensão de um dia passar essa fanfic a limpo e publicá-la — consertando obviamente os furos e os erros de português grotescos da época — mas há ainda muito mais conflitos nessa fanfic e ainda um amor complicado entre os vilões. 

Depois dessa minha primeira “fanfic” eu comecei a escrever uma outra que não terminei até hoje. Inicialmente eu havia batizado a fic de “O Círculo da Rosa de Saron”, mas depois eu mudei o título para “O Vilarejo dos Ventos”. Eu não me lembro exatamente como eu iria concluir essa fanfic, mas o começo dela eu lembro perfeitamente. O Hyoga estava em sua terra natal na Sibéria e estavam ocorrendo estranhos desaparecimentos em todas as vilas da região, então ele sai para investigar e também desaparece. Athena resolve mandar Shun e Seiya para saber notícias de Hyoga e ao chegar no local eles falam com os moradores e descobrem que os desaparecimentos estão ocorrendo em um determinado ponto da região. Eles vão até esse lugar onde o frio é tão intenso que eles desmaiam. Os dois estavam quase sendo enterrados vivos pela forte tempestade de neve da região, quando são abordados por estranhos cavaleiros que andam em cavalos cujas patas não afundam na neve. Ao acordarem, Seiya e Shun estão em um vilarejo quente e paradisíaco, mas ainda estão no meio da gelada Sibéria. Sempre gostei de mistérios. Um dia ainda concluo essa “fanfic”.

Eu não concluí essa fanfic porque naquela altura do campeonato eu já estava trabalhando e dividindo meu tempo entre trabalho, pesquisas, as baladas e as raras horas de sono.

Em ambas essas minhas fics eu inseri uma leve menção de Yaoi (que eu também não sabia que o termo era esse na época) e Shun e Hyoga sofriam por sentirem algo estranho. Porquê na minha cabeça, depois do famoso capítulo da casa de Libra entre Shun e Hyoga, não tinha quem tirasse da minha mente que havia alguma coisa ali. E pior: eu não conseguia achar bizarro e não conseguia deixar de pensar no assunto. Olha aí, o primeiro indício de que eu era uma fujoshi. 

O tempo passou. Mas minha paixão por Saint Seiya não. Na verdade, eu me tornei mais obstinada em saber sobre o final da série que não havia tido conclusão porque a TV Manchete (a emissora que exibia a saga na época) tinha saído do ar sem mais nem menos. Virei uma consumista de tudo que o mercado lançava sobre “os animes”, sim! Com o fim dos Cavaleiros veio a descoberta correta do termo, vieram novas séries no encalço deles e as revistas Herói e derivados que contavam tudo sobre essa “nova invasão” na TV brasileira. 

De fato, aconteceu mesmo a invasão, as televisões abertas trouxeram: Guerreiras Mágicas, Fly, Dragon Ball, Samurai X. 

A entrada do novo milênio trouxe consigo a popularização da ferramenta de interação humana mais fenomenal de todos os tempos: a internet! Com ela, a possibilidade de informações muito mais rápidas. Com internet em casa, tive acesso aos sites de buscas e graças a eles, encontrei inúmeros sites com informações preciosas sobre minha “pequena obsessão". Inclusive, o final dos Cavaleiros que eu tanta ansiava! A Batalha de Hades, que algum ‘santo’ havia traduzido dos mangás japoneses e compartilhado em formato de texto na net.

Também não demorou muito e a televisão a cabo se "rendeu" a febre dos animes. E o Cartoon Network estreou a seção Toonami que começava às 15 da tarde e ia até 18 horas. Muito mais animes e desta vez, na íntegra, sem aberturas e encerramentos cortados, sem tantas repetições: Pokemon, Digimon, Sailor Moon, Sakura Card Captor, Shin-Chan, Samurai-X (sem cortes como nas emissoras abertas), InuYasha, Gundan Wing, Dragon Ball Z, GT e muitos outros.

Com os novos animes veio também os mangás e com eles o retorno do meu vício. Aquilo que ansiava mais que tudo: a história completa dos Cavaleiros do Zodíaco, começo, meio e fim em mangá.

Entre esse tempo de tantas novidades, escrever ficou em terceiro, quarto e até quinto plano. Acabei largando os caderninhos de lado e deixando as folhas amarelarem. Até que um dia, estava passeando pela internet quando me deparei com um site chamado YaoiArt. Entrei porque tinha uma imagem de anime na capa e resolvi verificar o que era. Lá encontrei links que levavam a histórias que tinha uns alertas estranhos ‘lemon’, ‘lime’, ‘citrus’ e tinha lá também casais: “Hyoga x Shun”? Não pensei duas vezes e cliquei. Pronto. Meu coração veio na boca quando terminei de ler estava sem ar. O que era aquilo que eu tinha lido? Eram histórias de fãs, como eu, que idealizaram, escreveram e publicaram, para compartilhar com outros fãs: as fujoshis!

Durante um bom tempo fiquei apenas no campo da pesquisa. Li muito sobre assunto, busquei saber exatamente o que era o Yaoi e compreendê-lo. Encontrei outros sites que divulgavam o trabalho, no Orkut, encontrei várias comunidades. 

Dentre elas, três muito (mais muito especiais mesmo):  

A falecida Saint Seiya 4 Girls (foi deletada sem querer), onde encontrei muitas garotas com gostos em comum e que se tornaram irmãs. Entre elas uma amiga muito especial, contestadora, idealizadora, escritora talentosa, que me ajuda até hoje no meu crescimento como escritora e principalmente, em levar as fanfics com mais seriedade, sem deixar de me divertir claro. Até hoje participo da comunidade dela no LiveJournal, a Saint Seiya Superfics e sempre que posso participo do Coculto dos festivais e desafios idealizados pela comunidade que nos ajudam muito a crescer. 

Outra comunidade foi a “YIS” (Yaoi Internal School), onde encontrei meninos que para mim são especiais de uma forma inimaginável, não só meninos, mas meninas também, como a minha mama de São Paulo. Todos passaram do mundo virtual e já fazem parte da minha vida presencial faz muito tempo. Com eles eu aprendi a jogar RPG Yaoi e vi jogo virar vida real, virar amor. 

A última a comunidade YaoiWriter onde encontrei mais um grupo de fujoshis cheia de talentos e força de vontade em escrever, levando o Yaoi muito a sério. Esse também é o lar de outra amiga contestadora, idealizadora e escritora talentosa que admiro muito e que me fez despertar pra minha segunda paixão depois de CDZ que é Naruto.

Mesmo quando decidi publicar minha primeira fanfic “Os Garotos” de Saint Seiya, (a qual está em andamento até hoje), eu ainda não me sentia preparada o suficiente, porém, tinha que começar de algum jeito e ela foi só pontapé inicial para um projeto sério. Era o fim da brincadeira. 

Mas tive muito tombos, oscilações de humor e surpresas boas e ruins nesse percurso de quase sete anos publicando fanfics na internet (estamos chegando ao final de 2013). Vivi então tempos áureos, fiz muitos amigos, recebi centenas de reviews. Todos que liam falavam que eu escrevia bem. Meus amigos verdadeiros, seguidores da fanfic Os Garotos.

Então decidi explorar novos campos, deixei a fanfic Os Garotos e os meus antigos amigos de lado e me arrisquei em um novo fandom: Naruto! Rapidamente me tornei popular, escrevendo o popular, escrevendo o que todos queriam ler: fanfics regadas a sexo e pegação.

Então comecei a desconfiar. A não me sentir bem. As fanfics que eu estava escrevendo não eram as fanfics que àquela “eu” do começo desse artigo escreveria, não era de longe o que ela escrevia em seus cadernos. 



Eu acordei, depois de pedir conselho para amigos de verdade, e decidir voltar a escrever o que eu queria e não o que os outros queriam que eu escrevesse. Então despenquei do topo como uma pedra. Aliás, passei a receber as pedradas. Uma atrás da outra. Fui perseguida por trolls, sofri Cyber-bulling, fui fakeada no orkut, tive uma fanfic que estava sendo atualizada na época “A Crise dos Sete” atacada da mesma forma que atacaram os doujinshis que eu traduzia junto com meu amigo Akito. Tudo isso por que eu havia decidido escrever o que eu gostava e os fãs não aceitavam. 

Era extremamente inadmissível escrever uma fic com fulano de seme "personagem idiota, babaca, feio e ridículo, não pode ser o seme" e sicrano de uke "nunca alguém orgulhoso, vingador, poderoso, poderia ser uke daquele fulaninho ridículo". Mas o contrário podia. Consideraram um absurdo ainda maior dar um final triste (até hoje acho que não foi triste, foi o ideal) para uma história sendo que “a nossa vida já é uma merda e a gente busca nas fanfics finais felizes porque as fanfics são o nosso escape para tensão do dia-a-dia” esses foram só alguns dos argumentos que tive que ouvir por muito tempo.

Senti vontade de parar, desistir, jogar tudo para o ar. Mas aí a gente percebe quem são os amigos de verdade. Eles, os que confiavam no meu real talento, não me deixaram vacilar e nem desistir. “É só uma turbulência, ela vai passar”.  

Realmente passou.

Hoje eu escrevo o que eu gosto e não tem ninguém mais me criticando por isso. Até tive contos publicados em duas coletâneas da Draco Editora. Está certo que as centenas de reviews e seguidores se foram. Mas os poucos que ficaram e os novos que vão surgindo são leitores que realmente gostam do que escrevo agora e daquilo que resgatei e foi minha essência. Eles até compram os livros onde tenho publicação e fazem questão de que eu dê um autógrafo.

Então, é por eles, por vocês que estão aí lendo, e pelo meu desejo de ainda me tornar escritora profissional (com a publicação de uma obra só minha) é que vou seguindo com essa paixão que é escrever. 

Também não acredito de forma alguma que já sei de tudo. Tenho muito a aprender. Ainda preciso de uns puxões de orelha da minha beta amada, a Blanxe, alguém com quem aprendi e aprendo a cada dia. Ou, dos conselhos maduros da Vane. Ou das observações e críticas sempre bem feitas e animadas da Naluza; a pessoa que posso dizer sem medo que é uma das minhas maiores seguidoras, amiga, fã. 

E tem aqueles que ajudam ou ajudaram com carinho e apoio no começo, no meio ou agora e quem sabe sempre: o Rafa, a Zi, a Layza, o Viih, a Kami, a Anninha, o Matheus, a Mabel, o Tino, o Cello, a minha mama a Rosa, a Manda, as irmãs Dragonesas, a Patricia, o Sérginho, a Cardosinha, o Akito, a Hikari-nee-chan, a Gi-chan, a Meguari, a Bruninha, a Lett, a Karol, o Victor, o Jony, a Hanajima, a Vagabond, a Orange Naru. São alguns! Obrigada pelo apoio de vocês.  

É essa minha história até agora e espero que ela esteja longe de ter um fim. 

Até. 

4 comentários:

  1. Que emoção!!!!!!!! eu to aki!!!!!!

    te amo mana!

    bju ZI

  1. NetoH disse...:

    Andréiaaaa nem aparece mais na NSL x.x muito showw o blog xD ^-^

  1. Andréia Kennen disse...:

    Também amo você, minha ruiva. ;D

  1. Andréia Kennen disse...:

    @Netoh Pois é! De vez em quando eu entro no Orkut. É que realmente esqueço dele. Minha vida agora é no face. 8D

    Mas sempre que lembro entrar no Orkut eu dou uma passada lá na NSL pra ver como estão as coisas.

    Mas pelo jeito, está tudo na paz, as meninas animadas como sempre, isso que é bom. :D

    Ando trabalhando nos meus originais, por isso, ando um pouco ocupada tb.

    Fiquei feliz que tenha passado por aqui, Netoh!

    Bjos ;*

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